Pessoal, mais uma vez vou precisar usar das palavras da Martha Medeiros para começar um post. Esta semana ela escreveu o texto abaixo e conseguiu captar exatamente o que eu penso. Alguns podem até não gostar, mas acho que essa novela – Viver a Vida – é um reflexo na nossa sociedade atual. Reflitam…

Síndrome de Peter Pan
“Sempre gostei das novelas do Manoel Carlos porque elas são realistas, mas esse começo de Viver a Vida me surpreendeu. Parece Malhação, ou o que eu imagino que seja Malhação.
Alguns personagens correm pela casa uns atrás dos outros como se tivessem 11 anos de idade, incluindo aí dois irmãos marmanjos, um médico e um arquiteto. Há também um marido cafajeste que, dia desses, foi perseguido feito um peru em véspera de Natal por uma Maria Luiza Mendonça armada com um taco de golfe, furiosa por causa de uma batida de carro. Esse mesmo cafajeste assedia a prima da própria esposa, e as cenas em que consegue “pegá-la” tem um clima de Zorra Total. A Helena da vez, personagem símbolo da força feminina, só falta colocar o dedinho na boca e dizer gugu-dadá. Aliás, ela e José Mayer andando de carrossel em Paris foi muito meigo. Lilia Cabral, que é a atriz estupenda que todos sabem, está encarnando uma mulher que não tolera nem 5 minutos de solidão e não descansa enquanto não der o troco no marido que a largou. Aline Moraes não caminha: saltita. As ruas de Búzios viraram um parque de diversões, todo mundo anda de conversível com os braços pra cima, como se estivessem numa montanha-russa. As imagens são lindas, mas esse é o retrato do mundo adulto?
Sei que vem tragédia e sofrimento pela frente, mas, por enquanto, o cotidiano da novela é rosa bebê. Todas as personagens femininas, quando se reúnem, parecem que estão num chá de fraldas. Exceção para a personagem da atriz Lica Oliveira, que faz a charmosa mãe da Helena e que demonstra ter abandonado faz tempo o jardim de infância, esbanjando bom senso e elegância.
(…)Até pouco tempo, parecíamos mesmo mais adultos. Pais e filhos não se vestiam de forma parecida, as conversas de gente grande não giravam em torno de fofocas, as relações amorosas não eram vividas com leviandade, não se buscava a juventude a qualquer custo, não havia tantos brinquedinhos tecnológicos, tantas perguntas sem resposta, tudo era mais sério e os papéis mais bem definidos: crianças e adolescentes tinham o direito a aventuras e vacilos, e aos adultos cabia colocar ordem no galinheiro. Hoje tenho a impressão que estamos todos com a mesma idade, o mesmo espírito juvenil, a mesma ansiedade e a mesma irresponsabilidade, como se tivéssemos descoberto a pólvora: só os imaturos sabem viver a vida! Ser adulto virou sinônimo de chato.
Manoel Carlos está com 76 anos, e se é verdade que na terceira idade nos aproximamos da primeira, então faz todo sentido valorizar muxoxos, beicinhos, chiliques, briguinha de irmãs, deslumbramentos, gritinhos, flertes pra tudo que é lado. Paris é uma festa, Búzios é a Disneylândia, e o sofrimento não passa de um “ai de mim”. Ou seja, o autor segue mais realista do que nunca, escancarando a infantilidade de hoje ao mostrar personagens que não atuam como gente crescida, e sim mantém sua alma espontânea de criança, como normalmente faríamos se não tivéssemos que pagar contas, administrar amores, criar filhos, essas coisas sensatas que nos prendem ao chão e nos impedem de fazer o que gostaríamos mesmo, que é correr atrás de quem nos enerva com um taco de golfe na mão.”
A Martha mais um vez resumiu oque eu e muitos pensam. Quem vem primeiro o ovo ou a galinha? Neste caso é: a vida imita a arte, ou a arte imita a vida? Sinto que essa infatilidade quase eterna está ao nosso redor e faz o possível para entrar em nosso corpo e mente a cada respirada. É normal em cada nova geração existir a “juventude transviada”. Porém, já perceberam que atualmente essas crianças e adolscentes se sentem perdidos e sem objetivo na vida? Eles nasceram com internet, tv à cabo, controle remoto e ipods. Tudo parece muito fácil, é só fazer um bico e pronto, está lá o pai com o novo video game da moda entre as mãos. E quando falo isso não estou me referindo somente as classes de maior poder aquisitivo não. O cara do morro vai pagar em 12 vezes, 24 vezes, 60 meses, mas ele tem o carro popular ou um celular desejado. Todos sabem que as classes C e D são as que mais crescem no Brasil e ninguém pode mais subjulgar o poder de consumo deles. Muito menos achar que eles não tem atitudes iguais as que passam nas novelas. Ou alguém acha que Malhação faz sucesso só com os adolescentes de classe A?
Hoje ninguém mais marcha pelos direitos da democracia. Sutiãns não precisam mais ser queimados pelas ruas. Nossos pais e avós, tataravós já nos deixaram uma herança maravilhosa, direito a liberdade de expressão. E como muitos sabem, informação é poder. Mas com tanta informação por aí, nossos “pequenos” não sabem o que fazer com elas. Não filtram direito o que é certo e errado. Eles não querem responsabilidade, não sabem o que é isso e tem medo de saber. Simplismente vivem, um dia após o outro, sem pensar no futuro. INCRÍVEL! Isso tudo só reflete em uma sociedade cada vez frustrada, intolerante e depressiva. E os valores? Quem sabe se você olhar pro céu os encontra.
Well, isso só demostra que temos muito o que aprender, ou seria reaprender? Acho que os limites estão batendo em nossa porta, está na hora de escutá-los…
Grande beijo, Nina
Arquivado em: Reflexões, TV | Etiquetado: ifantilidade, martha medeiros, peter pan, sociedade atual, viver a vida
Crescer é chato… Mas pode ser divertido… hehehe
[...] quiser saber mais sobre esta Síndrome do Peter Pan pode acessar o Blog Comunicação Intencional. Lá a minha amiga e sócia, descreve outras formas de [...]
Acho que a carapuça me serviu. Estou com 28, mentalidade de 18 e sonhos de 8. Acho que eu finalmente aprendi a valorizar o meu tamanhico e usá-lo ao meu favor. Viva o nosso lindo balão azul.